Trabalhei um tempo com um cara que sabia que era gatão. Era certo que onde estivesse, teria qualquer uma das mulheres do recinto nas mãos, até mesmo as comprometidas. Ele sabia seduzir. No palco e fora dele. Simpático, solícito, meigo. Era o homem ideal para 10 em cada 10 garotas que o conheciam.
Com isso, ele acostumou com as facilidades. Seu único trabalho era convidar a “escolhida” da noite para jantar depois do show. E nunca houve uma recusa. Discretíssimo, fazendo o gênero cavalheiro, romântico e articulado, no fundo se tornou mimado. Desacostumou a batalhar por alguém, principalmente a receber um não. Era improvável, fora de cogitação, absurdo!
Conforme o tempo foi passando, nos tornamos “amigos”. Você vê aquela pessoa tanto quanto vê sua própria família, então é natural que se crie laços. Mas para que ele nunca pensasse que eu fazia parte das groupies, até porque não fazia mesmo, sempre que possível falava para ele do meu namorado, de quanto eu era apaixonada por ele, tudo o que eu fazia para estar com ele (e isso é verdade!). E cada vez mais meu boss se mostrava interessado em saber quem era, como era, de onde era, o que fazia.
Como nem tudo é perfeito, esse meu namorado morava em outro estado e era casado. Eu não me sentia a amante, até mesmo porque sabia das condições do casamento dele e de tudo o que ele fazia para estar comigo. Um dia, num desabafo de carência, acabei entregando esses “detalhes” pro boss. Foi como dar o segredo do cofre.
Ele passou a infernizar por email meu namorado, fazer jogos perversos comigo e com ele. Passei a levá-lo no maior número de viagens que fosse possível, no intuito de mostrar que apesar de tudo, eu era feliz. Mas nos hospedávamos no mesmo hotel, os dois se encontravam nos camarins… e nesse momento ele não dizia nada… só reunia fatos para poder pisar depois no Nelson.
Quanto mais ele queria nos separar, mais nos unia. O Nelson descobriu que me amava, graças ao boss que jurava gostar de mim, que me faria mais feliz, mas era capricho de menino mimado. Ele só queria mesmo era separar a gente. Uma aposta besta que ele fez consigo próprio.
Tanto que nosso relacionamento superou toda essa palhaçada. E eu nunca senti sequer vontade de experimentar o “star”. Pra mim, o que valia mais era o sentimento, o laço que me unia ao Nelson e não o falso glamour de ir pra cama com um famoso. E olha que até ali, nunca havia sequer beijado alguém conhecido. Mas ele tinha que saber que os apelos sexuais dele não me ganhariam, nem a fama, nem o dinheiro, nem a possibilidade de conhecer o mundo, ou de ter ao menos uma boa história pra contar.
Esnobei o VIP e a sensação de prazer foi imensa. Um dos melhores orgasmos da minha vida.
Uma das atitudes mais prazerosas é esnobar o cara que se acha o tal, que pega todas, mas vc nao pega…heheh