Esta história não aconteceu comigo, e sim com uma amiga da minha amiga e serve bem para ilustrar como certas atitudes radicais escondem os desejos mais obscuros e secretos.Conheci a pessoa em questão, a qual chamarei de B, quando visitava a tal amiga em comum.Sábado à tarde, conversa jogada fora,descontração, boas risadas, arrematadas por uma pizza campeã.Entre uma garfada e outra, ao ouvir mencionar alguém que era lésbica, B destilou os comentários mais impoliticamente corretos,exclamando prontamente:
“-Que nojo!” – a frase fora acompanhada de um gestual que demonstrava a total repulsa.Sou a favor da liberdade individual e quis argumentar mas preferi deixar pra lá.Logo o assunto era outro.
Minha amiga trabalhava com essa pessoa e naquele momento ambas estavam sem namorado,por isso decidiram frequentar as baladas juntas.Danceterias, bares, shows e afins,lá estavam elas, com uma energia invejável.Certa noite, porém,muitas doses depois,minha amiga percebeu que B estava sem condições de dirigir e convidou-a para pernoitar em seu apê.Chegaram cansadas e minha amiga apressou-se a preparar em sua cama de casal, um espaço para as duas,já que o sofá da sala era super desconfortável.Mal deitou-se,já sentindo também os efeitos do álcool, minha amiga ainda brincou,antes de apagar:”-Vê se não ronca,hein?”
Altas horas,plena madrugada,minha amiga sonha:várias bocas beijando seu corpo,mãos macias percorrendo seus seios,colo, barriga…deixando um rastro de arrepio e calor,ao mesmo tempo.No sonho ela tenta ver quem a toca,busca um rosto, excitada…e´tudo tão real que ela acaba por abrir seus olhos para deparar-se com a cena que jamais poderia supor:era de sua amiga o rosto, a boca que agora lhe beijava a barriga…as mãos que agora, entre suas coxas, movimentavam-se lentamente em direção ao seu sexo.Tão envolvida estava B que nem percebeu que ela despertara.Minha amiga quis tentar disfarçar,fingir dormir mas tão deliciosas estavam as sensações que resolveu (segundo ela me disse,depois) viver tudo aquilo.De olhos fechados,gemendo baixinho,ela puxou B e beijaram-se demoradamente,as bocas macias provando-se, as pernas se encaixando, de forma a sentirem-se tão próximas como jamais poderiam supor.E as duas transaram por horas,num tácito silêncio, sem perguntas nem explicações,apenas o desejo,a descoberta, as sensações de bocas delicadas e famintas, de orgasmos intensos e prolongados.
A partir daquele acontecimento,elas continuaram com aquele pacto silencioso:companheiras de baladas,perante os amigos;amantes dedicadas, nas madrugadas.Em seu trabalho, duas profissionais sérias, exceto quando íam juntas ao banheiro feminino, saciar a vontade que porventura surgisse durante o dia.O banheiro do setor estava em obras e elas tinham que utilizar um no andar desativado,que tinha chave na porta, o que facilitava muito a aventura, evitando serem surpreendidas.
Mas tudo passa, aquilo também passou.Minha amiga conheceu alguém especial e o lance delas perdeu a graça.E B, a principio, ressentiu-se, teve ciúmes, quis competir com o cara, mas teve que aceitar. Sim, B…aquela do “que nojo”, do princípio ….rs.
Hoje e´muito claro para mim esse mecanismo de defesa e quando ouço alguém criticar veementemente as atitudes sexuais de outrém, comento com meus botões:esse(a) já deu ou está passando uma vontaaaaaade….

É assim mesmo… Quem nao respeita a opinião do outro esconde no fundo, o medo de também querer ….
E viva a liberdade…