O voyeur e meu dia exibicionista
Ele morava no prédio em frente ao meu.
Minha mesa do computador ficava encostada à janela panorâmica do apartamento. Sempre gostei da noite, de virar a madrugada escrevendo e olhando a lua. Em noites quentes, abria as cortinas e os vidros, para sentir o vento em meus cabelos. Me debruçava na janela, olhar perdido no céu.
Normalmente, ficava na janela de camisola ou de babydoll. Era madrugada mesmo, todos dormiam (ou era o que eu achava)…
Mas um dia, vi alguém na varanda em frente. Um homem escondido pela penumbra, mas que me olhava sem sequer desviar a atenção. Olhava objetivamente, como se fizesse questão que eu o visse. Fechei imediatamente as cortinas e fugi daquele desconhecido, assustada, surpreendida.
Algum tempo depois, olhei pela fresta e ele continuava no mesmo lugar, sentado no parapeito de sua varanda, apoiado nas grades. Na posição que estava, deu apenas para ver os contornos de seu corpo.
Resolvi fingir que não o tinha visto e abri as cortinas, imediatamente sentando em frente ao computador. Como a janela ia do teto ao chão, ele podia me ver de corpo todo, mesmo sentada ali - ainda que a única luz fosse a do monitor e a iluminação da rua.
E ficou nisso: ele me olhando, eu fingindo máxima concentração no que estava escrevendo. Algum tempo depois me cansei, desliguei tudo e fui dormir.
E essa mesma cena se repetiu por algumas noites: Eu sentada, ele me observando. Porém, começou a aparecer com cada vez menos roupas: primeiro sem camisa, depois sem bermuda. Eu entendi que era um sinal. E como estava completamente excitada com o fato de um estranho me observar - ainda que não fosse possível ver seu rosto - comecei a dar sinais também.
Na primeira noite, deixei a luz da sala acesa, assim ele podia me ver melhor. Caprichava todos os dias na roupa de dormir, cabelos soltos e úmidos… Passei a não ficar só no computador. Voltei a contemplar a lua, debruçando na janela e oferecendo a ele a vista do meu decote.
Um dia, ele deixou sua luz acesa e pude ver, apesar da rua que separava os dois prédios, seu rosto suave, belo. Nem de longe tinha cara de maníaco, mas de um voyeur, encantado com a hipótese de me observar. Confesso que também adorava.
Noite de lua cheia, meus hormônios ferviam pelo corpo. Estava disposta a muito mais. Vesti apenas uma camisola preta transparente, sem nada por baixo. A luz da sala entregava que estava praticamente nua.

Debrucei na janela, sabendo que mostrava além do decote. Eu queria que ele pudesse ver como estavam os bicos dos meus seios… E ele entendeu o convite. Prontamente tirou sua cueca e começou a se masturbar, fazendo gesto com a outra mão, de que era pra mim.
Apoiei uma perna na cadeira e passei a me masturbar pra ele. Com uma mão, acariciava meus seios. Com a outra, brincava com meu clítoris, sentindo quão molhada estava naquele momento.
Ele mal se movia. Masturbava-se rapidamente e podia sentir como aquela situação o excitava. De repente, ele parou. Fez sinal que eu esperasse e sumiu para dentro de seu apartamento.
Pensei que naquele instante a mulher dele podia ter acordado, ou ter visto mais alguém do meu prédio olhando pra ele… ri da situação, embora tenha me sentido um pouco frustrada por ele ter saido de repente. Eu nem tinha gozado ainda!
Acabava de fechar as cortinas quando o interfone tocou. Era ele.
- Oi… er… sou seu vizinho…. Acho que você sabe quem sou… Bem, é que eu queria poder te ver de perto, posso subir?
Um arrepio frio me subiu pela coluna. Medo, excitação, hesitação, o desconhecido. Se eu pensasse um pouco, não teria deixado.
- Sobe.
Abri a porta do apartamento e ele era maior e mais bonito do que eu podia ter visto de longe. Estava sem camisa, com uma calça branca de capoeira, sem cueca. Chinelos e um perfume que faz parte dos meus preferidos: UOMINI.
-Você é linda. Você tem povoado meus pensamentos todos esses dias.
Nada mais foi dito. Ele me agarrou, enquanto tentava fechar a porta. Seu abdomen era tão duro, barriga definida, que eu nem conseguia acariciar direito… Nos jogamos no sofá, ele ergueu minha camisola e me penetrou, enquanto beijava minha boca.
Primeiro de frente, depois me jogou por cima para que o cavalgasse gostoso. No meio de um beijo ele me falou, entre gemidos:
- Quero agora te comer na janela.
Me debrucei no peitoril como fazia todas as noites, mas agora meus seios recebiam suas mãos famintas apertando-os, enquanto seu pau enorme me comia com intensidade. Ele me mordia o pescoço e as orelhas enquanto gemia -quase uivava. E ele me apertava, me puxava com força pela cintura, como se eu fosse sua presa. Me mordia forte, como se não transasse há séculos. Quase um homem das cavernas. Mas confesso que gozei. Um lado de mim adora lapsos de agressividade no calor do momento.
Mas no outro dia os hematomas não foram muito engraçados. Além das marcas imensas, machucou. Gosto da dor que termina junto com o sexo. E por isso o voyeur perdeu a chance. Computador, só de cortinas fechadas e nada de atender o interfone fora de hora, por mais que a lembrança daquela calça de capoeira me instigue.
Mas é que capoeira é um dos meus pontos fracos…